domingo, 9 de dezembro de 2012

Maratona de Nara


Pit stop para abastecimento na Universidade de Tenri

Como já estava certa a nossa ida ao Japão em dezembro de 2012, comecei a procura por alguma corrida nessa época para que eu pudesse encaixar no nosso roteiro. Tendo em vista que chegaríamos apenas no dia 3/12, tive logo que descartar a maratona de Fukuoka, que ocorreria no dia 2 de dezembro.
A única corrida que ocorreria durante nossa permanência no Japão seria a maratona de Nara, no dia 9/12.
Nunca tinha corrido uma maratona antes, mas não poderia perder essa oportunidade. O importante era garantir logo minha vaga. O resto (leia-se, o treinamento) ficaria para depois.
A maratona de Nara disponibiliza um site com versão em inglês contendo informações básicas sobre a corrida e instruções acerca da inscrição.

A inscrição
As inscrições encerraram bem cedo, no dia 27 de julho, e custaram 8.000 ienes.
Fiz a minha inscrição e do meu marido logo no início. Você pode fazer online, enviando os dados do cartão de crédito. No entanto, a confirmação não é imediata.
Dias antes do encerramento das inscrições, recebi um e-mail dizendo que a minha inscrição não pode ser feita por problemas no cartão de crédito. Entrei no site do Banco do Brasil e chequei se os cartões estavam liberados para uso no exterior. Ok, tudo liberado. Tentei de novo. Novo e-mail dizendo que o pagamento não pode ser efetuado.
Momentos de tensão. Faltava apenas 1 dia para o encerramento do prazo. Mandei um e-mail perguntando se poderia fazer a inscrição com o cartão do meu marido, que é do Santander. Resposta afirmativa. Desta vez deu tudo certo.
Agora só faltava treinar!!!

Confirmação
Em meados de novembro recebemos um e-mail confirmando nossa inscrição e contendo informações detalhadas sobre a corrida. Agora era só esperar o dia D.



Meu número de peito. Que capricho!

Retirada dos kits
Chegamos a Nara pela estação Kintetsu. Dentro da estação vimos pessoas da organização da corrida prontas a ajudar quem tivesse dúvidas. Já dava para perceber que a cidade toda respirava os ares da maratona.
A retirada dos kits ocorreu na véspera da maratona, no estádio de Konoike. Para os estrangeiros havia um estande separado para a entrega, que foi muito rápida e sem problemas. Naquela tarde tive a impressão de sermos os únicos forasteiros a participar da corrida.
Também visitamos a feira da maratona que, apesar de não ser muito grande, tinha diversos produtos com preços excelentes. Compramos uma calça da Asics por cerca de R$ 40,00.
Também tinha diversas barraquinhas com quitutes japoneses. Humm....optamos por um delicioso sobá.

O dia D
Amanheceu bem frio no dia da corrida. Tomamos um café estilo japonês bem reforçado no ryokan. Fomos a pé ao estádio, que fica a uns 2 km de distância do nosso hotel. Seria bobeira pegar ônibus, pois estava um trânsito infernal.
Chegamos ao estádio com uns 30 minutos de antecedência, deixamos nossos pertences no guarda volumes e nos posicionamos na nossa baia. Apesar de você informar o tempo que pretendia concluir a prova e de  a organização informar no número de peito em que curral você deveria largar, o que se viu era uma mistureba geral.
Levamos mais de 15 minutos para cruzar a linha de largada.
Os 10 km iniciais são dentro da cidade de Nara e não apresentam maiores dificuldades. No entanto, após passar pelo Parque de Nara, o percurso começa a ficar bastante ingrime e difícil.
Ao longo do caminho, não faltaram pessoas para incentivar e dar apoio. "Ganbatte kudasai" (vamos lá!) era o que mais se ouvia. Uma infinidade de senhoras bem velhinhas em cadeiras de roda agitando bandeirinhas, outras vestindo fantasias, muito contagiante. O povo japonês é nota mil. Isso tudo dava um pouco mais de força para seguir em frente. Apesar de a maior parte do percurso ser na zona rural, não ficamos muito tempo sem apoio do público para nos incentivar.
A corrida chega em Tenri e depois retorna ao estádio de Nara. Até o km 35 estava tudo bem. Mas depois tudo começou a doer. No km 37 entrei em transe e liguei o piloto automático. Não via a hora de cruzar a linha de chegada.
Após cruzar a linha de chegada eles colocam a medalha, te entregam a toalha da corrida e um kit com frutas. 
Esse com certeza foi uma dia inesquecível.

O veredito
Apesar de ter sido apenas a 3ª edição, a maratona de Nara trai muitos participantes, a esmagadora maioria japoneses. Quase não vimos estrangeiros por lá.
Abastecimento a cada 3 km muito organizado, com placas alguns metros antes sinalizando os postos de hidratação. A maioria deles tinha isotônico e deliciosas balinhas. Em alguns ofereciam bananas já sem a casca. O que mais me impressionou é que todos jogavam seus copinhos, papéis de balinha e embalagem de gel nos cestos de lixo disponibilizados. Não se via aquele monte de lixo no chão. A educação dos japoneses é ímpar.
Seguem algumas fotos do evento.

Xis!

Preparativos finais

Símbolo de Nara. Veado no Nara Park!

texto alternativo
Aqui começa a subidinha
Pausa para foto na Universidade de Tenri.
Missão dada é missão cumprida: a prova da empreitada

sábado, 8 de dezembro de 2012

Nara

Nara não estava incluída no roteiro inicial da nossa viagem ao Japão. Mas, já que eu estaria ali, do outro lado do mundo, não queria perder a oportunidade de participar de uma corrida na terra do sol nascente. Pensei na maratona de Fukuoka. Mas ela ocorreria no dia 2 de dezembro, ao passo que nós chegaríamos apenas no dia 3.


Depois de alguma pesquisa, acabei descobrindo a maratona de Nara. Sim, descobrindo, porque eu nunca tinha ouvido falar nela, e creio que a maioria dos brasileiros também não a conheçam.
O lugar seria perfeito, pois Nara fica a apenas uns 40 minutos de trem de Osaka.
Não me arrependo de ter visitado Nara. É um dos lugares mais legais que já visitei. Aqui  sim você vai encontrar aquela atmosfera zen do Japão antigo.
Nara foi a primeira capital do Japão e possui vários tesouros históricos, dentre os quais alguns dos maiores e mais antigos templos do Japão. Para vocês terem ideia da quantidade de coisas legais para serem vistas em Nara, é só dar uma olhada no site Japan Guide.
Apesar de termos ficado 2 noites na cidade, não pudemos explorá-la a contento. No primeiro dia chegamos, deixamos a bagagem do hotel e seguimos para o estádio Konoike para pegarmos os kits da maratona. No segundo dia corremos a maratona e voltamos para o hotel tão destruídos que deitamos para descansar um pouco e só acordamos no dia seguinte, em que partiríamos pela manhã.




Nara Park
Para entrar no clima zen da cidade, nos hospedamos em um Ryokan (Ryokan Matsumae).

Rua do Ryokan Matsumae

Parece desconfortável, mas não é. Delícia de futon!
Nara é uma cidade para ser curtida sem pressa. Não aconselho um bate e volta partindo de Kyoto ou Osaka. Apesar de a viagem ser curta, creio ser incompatível com a atmosfera da cidade. Aqui consegui encontrar aquilo que imaginava ao pensar no Japão, experiência que nem mesmo Kyoto, com seus lindos templos, conseguiu me transmitir.